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Anúncio da volta do Finame PSI atrapalhou negócios nas concessionárias
27 de Novembro de 2015 - 03:25 horas / Dilene Antonucci e Nelson Bortolin - Revista Carga Pesada

“É como você dar uma rapadura para alguém, mas depois arrancar os dentes da pessoa”. A comparação é do gerente comercial da Konrad, concessionária da marca Ford, em Maringá, Fernando Xavier Mourão. Ele se refere ao anúncio feito durante a abertura da Fenatran, dia 9 de novembro, de que o Finame PSI seria novamente liberado pelo governo. A linha do BNDES para financiamento de caminhões havia sido suspensa no final de outubro. Segundo o gerente, apesar da promessa, os novos pedidos ainda não foram liberados.


“Ficamos lambendo a rapadura”, afirma. De acordo com Mourão, no início de novembro, após o encerramento do Finame PSI, as concessionárias começaram a operar o Finame TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), linha do BNDES com juros pós-fixado. Com o anúncio da volta do PSI, os clientes que estavam com compras encaminhadas preferiram esperar para refazer o negócio nesta modalidade que é mais vantajosa. “Entre comprar com taxa pré-fixada de 9,5% ao ano (do PSI) e pós-fixada pela TJLP, que hoje está em 14% ao ano (incluindo spread), é claro que eles optaram pela primeira”, disse. Mas os recursos não foram liberados e o prazo para adesão se encerra nesta sexta-feira (27).


Agora, segundo ele, a loja terá de tentar fechar os negócios de novo pela modalidade de TJLP. “Quem estiver muito precisado do caminhão vai comprar no pós-fixado, mas quem não tem tanta urgência vai esperar para ver como fica a situação”, declara. O gerente conta que a Konrad vendeu neste ano uma média de 15 caminhões por mês, de janeiro a outubro. No ano passado, essa média era de 30 por mês. Agora, a situação ficou ainda mais difícil: “É um final de ano horrível para as revendas de caminhão”, reclama.


O anúncio da volta do Finame PSI durante a Fenatran também não agradou a montadora DAF. Mesmo comemorando o resultado de 550 caminhões comercializados na feira, o diretor comercial Luis Antonio Gambim já considerava negativo o efeito do comunicado. “Se o BNDES publicar a medida, teremos cerca de 10 dias úteis apenas para encaminhar os documentos, é pouco tempo”, disse ele em 13 de novembro, último dia do evento . “Nosso cliente já estava se preparando para negociar com a TJLP, agora ficamos neste compasso de espera”, comentou já prevendo a demora nas definições por parte do governo, o que acabou se concretizando.


A assessoria do BNDES nega que os recursos do PSI não estejam sendo liberados. O banco admite que houve problemas em seu sistema de TI na terça-feira e na quinta-feira desta semana, o que acarretou atrasos na recepção de pedidos de financiamento. Mas alega que a situação já foi normalizada.


Segundo a assessoria, os pedidos protocolados após o anúncio da reabertura do PSI estão sendo liberados de acordo com o orçamento que existia para o programa antes do seu fechamento no final de outubro. Diz ainda que os pedidos podem ser protocolados até as 22 horas desta sexta-feira (27).


TJLP 2016


A expectativa do mercado para o ano que vem é trabalhar com o Finame TJLP, cujos juros variam durante o contrato conforme a taxa de longo prazo. Hoje, TJLP mais spread bancário resultariam numa taxa de cerca de 14,5% ao ano.  Mas, para o mercado de caminhões voltar aos níveis de 2014, os juros não podem ultrapassar 10% ao ano, na avaliação do empresário Cláudio Adamuccio, presidente do Grupo G10, de Maringá, maior transportador de grãos do País.  Segundo ele, cada ponto porcentual acima deste limite representará um mercado 10% menor que o normal. Se os juros forem de 11%, as vendas de caminhões ficarão 10% menores. Se forem de 12%, o mercado estará 20% mais encolhido. E assim por diante.


Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões estão 45% abaixo das do ano passado. Isso significa dizer que, se os juros das linhas do Bndes subirem dos atuais 9,5% ao ano no PSI para 14,5% ao ano, o mercado continuará exatamente como está, no raciocínio de Adamuccio.


De acordo com o empresário, uma empresa de transporte rodoviário de cargas, “quando bem gerida”, tem resultado de 8%. Por isso, não pode pagar taxas maiores que 10% ao ano. “Se os juros do Finame vierem para 18%, como andam dizendo, as vendas de caminhões podem cair ainda mais na comparação com 2014”, estima. “O que vai acontecer no ano que vem ninguém sabe”, complementa.


Para o ex-presidente da NTC&Logística e atual conselheiro da entidade, Geraldo Vianna, não importa a taxa. “As perspectivas de reaquecimento do mercado de caminhões são muito remotas”, alega. Segundo ele, o problema não está na linha de financiamento. “Podem dar o preço que quiser, o desconto que quiser. Podem dar as melhores condições de financiamento, que não vai adiantar”, afirma.


Enquanto o Brasil não voltar a crescer, não haverá retomada das vendas na opinião de Vianna. “Primeiro, porque o transportador não tem dinheiro e nem crédito. Está endividado. Quem tem dinheiro e crédito, não tem motivos para comprar”, diz ele, ressaltando que a demanda de carga está menor que a oferta de caminhões.


O representante da NTC&Logística cunhou a expressão bolha rodoviária para se referir ao processo de venda “exagerada” de caminhões nos últimos anos. Segundo ele, para agradar à indústria automotiva e manter os empregos dos metalúrgicos, o governo federal exagerou nos incentivos por meio do BNDES, que chegou a oferecer juros negativos. “Saímos de um patamar de 80 mil caminhões vendidos por ano para mais de 150 mil nos últimos 5 anos. Não é que as vendas tenham caído em 2015. Elas estão voltando ao normal”, alega. De acordo com Vianna, o mercado de transporte brasileiro não precisa de mais de “70 ou 80 mil” caminhões novos por ano.


Ele diz que as entidades representativas do setor estão negociando com o BNDES um programa de refinanciamento dos atuais contratos para as empresas de transporte. “Estamos diante de um grande problema. Não só estamos com um número excessivo de caminhões no mercado, como vemos um grande endividamento. Para muitos, a capacidade de honrar o financiamento é duvidosa”, alega.




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