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Aumento no preço dos combustíveis pode influenciar inflação
11 de Setembro de 2017 - 05:15 horas / Correio Braziliense

O efeito de contaminação dos combustíveis sobre o IPCA, no entanto, não é imediato, mas gradual.

 

Os recentes reajustes de combustíveis promovidos pela Petrobras podem ser danosos à economia.  Somente nos primeiros dias de setembro, a estatal autorizou aumento de 10,2% da gasolina e de 5,3% do óleo diesel. Na quarta-feira, anunciou redução de 3,8% na gasolina, mas nova alta, de 0,7% para o diesel. Para os consumidores, o efeito dessas variações de preços, aplicadas nas refinarias, tem sido constantes elevações do valor cobrado nas bombas dos postos.

 

Mas o pior ainda pode estar por vir. Cálculos do chefe interino da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens e Serviços (CNC), Fábio Bentes, feitos com base nos reajustes anteriores ao de quarta-feira, apontam que o repasse integral da correção nas refinarias para as bombas jogaria um peso de 1,1 ponto percentual sobre a inflação nos próximos 12 meses.

 

A mediana das expectativas de analistas consultados semanalmente pelo Banco Central (BC) aponta para um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,4% em setembro de 2018. Isso significa que, em caso da transferência integral dos reajustes, a inflação subiria para 5,5%. A explicação para isso, segundo Bentes, está no efeito de contaminação do aumento de gasolina e diesel sobre a cadeia de custos de bens e serviços, já que a distribuição de produtos no varejo é baseada predominantemente em caminhões e veículos abastecidos por diesel ou gasolina.

 

Ainda que os agentes econômicos repassem ao consumidor apenas metade do impacto previsto por Bentes, o IPCA atingiria 5% no acumulado em 12 meses até setembro do próximo ano, patamar acima do centro da meta estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

 

O efeito de contaminação dos combustíveis sobre o IPCA, no entanto, não é imediato, mas gradual. “Dura, em média, dois ou três meses”, afirmou Bentes. Em algumas classes de despesas, porém, o impacto leva mais tempo, como no grupo de alimentação e bebidas. Nessa categoria, a disseminação demora quatro meses. O que é um alento, uma vez que a queda de preços dos alimentos tem ajudado a desacelerar o custo de vida e, consequentemente, a dar mais poder de compra às famílias.

 

Em contrapartida, o impacto sobre os transportes é imediato. O contágio, no entanto, tem um comportamento diferente. “A contaminação é forte no primeiro mês, depois vai perdendo força gradualmente”, explicou o economista.


Tributos

 

O impacto da alta dos combustíveis no grupo de transportes foi observado no último resultado do IPCA, após o governo federal aumentar a alíquota de PIS/Cofins, em julho. Em agosto, a inflação dessa categoria de despesas subiu 6,67% em relação ao mês anterior. Foi a maior alta desde fevereiro de 2015, quando os custos com o grupo avançaram 7,95%. Naquela época, sob a Presidência de Dilma Rousseff, o impacto foi causado pelo reajuste da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Em março de 2015, os custos com combustíveis avançaram 1,08%.

 

No atual cenário, o mesmo efeito não pode ser descartado, avalia Bentes. “Não vai ser o aumento de combustível que vai comprometer a inflação baixa de alimentos e bebidas nos próximos três meses. Mas, na virada de dezembro para janeiro, devemos ver algum efeito maior sobre esse grupo”, destacou. A estimativa é de que os reajustes acumulados em setembro se unam ao impacto do aumento de PIS/Cofins e pressionem os preços dos alimentos no início de 2018.




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