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Mercado de combustíveis tem retração de 10,9% em maio
14 de Julho de 2016 - 04:04 horas / FETCESP

As vendas no varejo recuaram 1% em maio, na comparação com abril. Crise leva muita gente a desacelerar no consumo de combustíveis.

 

A pesquisa mensal do comércio, divulgada pelo IBGE na terça-feira (12), mostra que as vendas do varejo, em maio, tiveram uma queda de 1% em relação a abril. Esse resultado é o pior de maio desde 2000. Na comparação com maio do ano passado, a queda é de 9%. São 14 meses seguidos com resultado negativo.

 

Entre abril e maio, o volume de vendas recuou na maioria das atividades pesquisadas, como por exemplo, artigos de uso pessoal, móveis e eletrodoméstico, produtos médicos e de farmácia.

 

A pesquisa mostra também que tem muita gente desacelerando no consumo de combustíveis e lubrificantes. Em maio, a queda nas vendas foi de 10,9%, em relação ao mesmo mês do ano passado.

 

Gasto com transporte hoje na família dos arquitetos Bernardo Magalhães e Roberta Veloso só com sola de sapato. Desde que o casal ficou desempregado, no ano passado, os carros dos dois só acumulam poeira. “O combustível costuma ter um preço muito alto quando você tem um automóvel fazendo parte da família, que é uma despesa alta e você usa o carro no dia a dia”, diz Bernardo.

 

Eles até trocaram a filha de escola para fazer economia. O novo colégio é pertinho de casa. “Nós gastávamos em torno de um tanque de combustível por semana e agora eu não gasto mais nada, porque nós vamos e voltamos a pé”, conta Roberta.
A queda no consumo de combustíveis e lubrificantes é culpa da retração da economia. Tem mais gente deixando o carro em casa, tem menos entregas, tem menos carga circulando. Mas se tem menos demanda, por que os preços não caem? “O preço que deveria ter sido reajustado lá atrás, em 2014, não foi reajustado e a conta está chegando agora. Esse aumento de custos, esse descasamento entre os preços praticados hoje e os que deveriam ter sido praticados lá atrás causou um estrago enorme no consumo e no faturamento do setor”, explica Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

 

O economista explica ainda que, como os preços dos combustíveis contaminam outros preços, a tendência de recuperação do consumo e queda da inflação é adiada: “Para circular mercadorias, para as pessoas circularem, vai ficar mais caro daqui para frente. Por conta desse reajuste recente no preço do combustível, a gente vai demorar mais para ver uma recuperação do emprego, da renda e também para a recuperação do comércio, do setor produtivo como um todo. Isso tudo dificulta muito a recuperação que a gente tava esperando para o segundo semestre.




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