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Mudanças na economia chinesa podem ser benéficas para setor brasileiro de infraestrutura de transportes
04 de Abril de 2016 - 06:51 horas / CNT

A China está mudando o perfil de sua economia, o que traz implicações diretas para o Brasil. Elas devem trazer desafios, uma vez que o país é nosso maior parceiro comercial. Mas também oportunidades, já que o setor produtivo chinês deve sofrer uma desaceleração e focar em mercados externos.


O embaixador do Brasil na China, Roberto Jaguaribe, concedeu entrevista à Agência CNT de Notícias para comentar as transformações e os reflexos que podem trazer para o Brasil. Segundo ele, nesse contexto, o setor de transporte pode ser beneficiado com ampliação da infraestrutura logística. É com esse objetivo que a CNT (Confederação Nacional do Transporte) mantém, em Pequim, um escritório de representação da entidade, que vem trabalhando para identificar oportunidades e potenciais investidores para o segmento.


Quais são mudanças mais significativas por que passa a economia chinesa?

A economia chinesa passa por um processo complexo de ajustes. Evidentemente que uma economia que tem essa dimensão, para continuar a crescer nas taxas que vinha exibindo nos últimos 30 anos, os desafios são cada vez maiores. Na verdade, torna-se praticamente impossível sustentar taxas superiores a 10% de crescimento numa economia do tamanho da chinesa. Isso requer mobilizações muito significativas de muitos segmentos, e a verdade é que isso nem é uma meta do governo chinês. Eles têm a ambição do que chamam atingir uma etapa moderada de riqueza, o que significa uma ampliação da renda per capita básica chinesa. O novo plano quinquenal, que está sendo deliberado agora, mas, essencialmente, já está em curso, prevê que o PIB per capita chinês, em 2020, seja o dobro do que era em 2010. Para isso, estima-se que a taxa mínima de crescimento da economia tem que ser de 6,5% ao ano. Por si, já é uma tarefa complexa e isso faz com que a China continue a ser, de longe, o principal propulsor da economia mundial. Ou seja, a sua contribuição com a economia mundial continuaria a ser a maior do mundo. Para se ter uma ideia, de 2000 a 2015, a China contribui com cerca de 25% do total do crescimento da economia global. O segundo lugar, os Estados Unidos, contribuiu com menos da metade disso. Então, continua sendo um desafio significativo. Mas, essencialmente, eles não têm mais capacidade de aumentar a sua produção e infraestrutura da forma acelerada como vinham fazendo. Estão, portanto, buscando ampliar outros segmentos da economia, particularmente o setor de serviços, além de aumentar a capacidade de consumo e um grande enfoque na inovação e na capacidade de os setores de tecnologia avançada ganharem percentuais cada vez mais significativos.


Quais os impactos dessas mudanças, em particular, nas relações comerciais com o Brasil?

Isso tem implicações diversas. A China, como todos sabem, enfrenta desafios ambientais muito significativos, que também levam a uma consequência, que é diminuir ou interromper certos segmentos produtivos que estão menos eficazes economicamente e continuam a ser poluidores. Isso gera milhares de transições que são requeridas, sobretudo em um país com essa dimensão e essa multiplicidade de recursos e de habitantes. Os desafios são grandes, mas os chineses são muito estruturados e eles têm modelos de gestão que têm se mostrado eficazes. Então, é importante para o mundo que essa transição se processe de forma fluida e ordenada, embora, no fundo, isso seja impossível, porque sempre há soluços, variações e conturbações nesse processo. Em última instância, vai afetar a forma de relacionamento com o Brasil, de fato, em função de uma demanda menor de certos tipos de commodities e também um esforço cada vez maior de terceirização de produção. A China está interessada em tirar do país deles e passar para outros a capacidade produtiva que tem que está um pouco ociosa e representa ônus adicional do ponto de vista ambiental. O Brasil se situa muito bem para receber isso.


Quais os resultados positivos que o Brasil pode obter por meio das parcerias no setor de infraestrutura de transportes?

Eu acho que a China é um dos países mais interessantes, mais ativos, mais dinâmicos e mais moldadores do futuro que existem no mundo atual. Portanto, toda interface com a China tende a ser benéfica e geradora de conhecimentos de utilidade recíproca para a relação bilateral. No âmbito do transporte, a China tem feito mudanças tão radicais que não podem passar despercebidas. O mais notório, evidentemente, está na área ferroviária, como com o trem-bala, com um avanço extraordinário, muito maior que qualquer outro país. Isso tudo com custos que tendem a ser altamente competitivos. Todo o segmento de transportes, que é indispensável para qualquer economia moderna - e que é um desafio tão grande para o Brasil e representa gargalos tão significativos para o crescimento da nossa economia - encontram uma interface potencial muito útil e interessante na China. De modo que eu acho muito interessante a ideia de a CNT manter uma expansão nesse relacionamento, para identificação de oportunidades em todos esses segmentos. A China é muito distante do Brasil, mas há uma relação antiga, e essa distância, a meu juízo, mais favorece do que dificulta o relacionamento. Mas dificulta o conhecimento recíproco, que é fundamental para a ampliação do relacionamento, junto com a apreciação recíproca. Isso traz elementos a serem explorados, então está muito bem que se continue nesse processo.


Quais o senhor acredita que são os desafios do Brasil para estreitar ainda mais as relações e acelerar a execução de projetos desenvolvidos em parceria com a China, especialmente para o setor de transportes?

O que acontece é que nós temos uma necessidade de apresentar uma fachada muito coesa e coordenada para lidar com a China, porque é um país muito estruturado e coordenado. Se chegarmos muito esfacelados, não é possível fazer uma coisa adequada e sustentável. Muitos passos já foram dados, como visitas ministeriais. Alguns ministérios têm tomado a dianteira disso. Também existe um entendimento formal assinado entre o Ministério do Planejamento e a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, que é uma instituição de grande relevância, possivelmente o ministério mais central de todos operacionais na China. Então, é preciso que a gente tenha capacidade de manter sempre uma proposta muito coesa, estruturada e não pingada. O modelo político da China favorece essa coesão e estrutura. No caso do Brasil, infelizmente, isso não é tão verdadeiro, na medida em que nosso poder político é mais fragmentado. Mas não tenho a menor dúvida que é fundamental um grande esforço de coordenação e de conhecimento de nossas metas e objetivos, para que a gente possa encaminhar junto com nossos parceiros chineses soluções adequadas em todos esses segmentos.




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