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Brasileiro desconhece o real “peso” da carga tributária
10 de Maio de 2010 - 10:00 horas / Correio Popular

O brasileiro pode não perceber, mas paga cerca de 55% de imposto na compra de uma máquina de lavar roupa e desembolsa mais 32,25% pelo sabão em pó. O simples ato de acender uma luz já representa transferência de 39,25% do valor pago para os cofres do governo. E o sonho da casa própria, quem diria, chega a custar quase o dobro por causa das mais variadas taxas e impostos que são cobrados no valor final. A falta de informação do contribuinte aparece numa pesquisa encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao instituto Ipsos. Foram entrevistadas mil pessoas em 70 cidades espalhadas pelo Brasil. Os resultados não chegaram a surpreender a Fiesp. A sondagem mostrou que a maioria da população tem conhecimento de que paga impostos sobre produtos de consumo doméstico, como alimentos, artigos de limpeza, e serviços essenciais, como energia elétrica. No entanto, não faz a menor ideia de quanto paga de tributos sobre cada mercadoria ou serviço. Cobrança disfarçada - Não se trata de mero descaso. O consumidor desconhece o tamanho da “mordida” porque a cobrança do Leão é feita de forma indireta e disfarçada. O valor dos chamados tributos invisíveis, que representam mais de 40% da carga tributária no País, já vem embutido no preço final das mercadorias. Pior: o valor dos impostos e taxas não é discriminado na embalagem de cada produto. “Não podemos culpar o cidadão de ignorância nem de falta de atenção, porque não contam para ele quanto cobram de imposto”, diz o diretor do departamento de pesquisas e estudos econômicos da Fiesp, Paulo Francini. Para ele, além de socialmente injusto, esse sistema fere o conceito de cidadania. “Só pode reclamar pelos seus direitos quem tem consciência dos deveres que está praticando”, diz o diretor da Fiesp. “O controle dos gastos e desperdícios do governo, pela sociedade, fica mais difícil quando os contribuintes não têm a percepção de que são eles que pagam cada centavo das despesas públicas”, afirma o consultor tributário Clóvis Panzarini. Em países do chamado primeiro mundo, como os Estados Unidos e países da União Europeia, o valor dos impostos cobrados sobre o consumo não é incluído no preços dos produtos, como acontece aqui. “Os impostos diretos são mais justos, pois permitem gradação de acordo com a renda de cada cidadão”, observa Panzarini. “Já os impostos indiretos são regressivos, na medida em que tributam igualmente os desiguais”, ressalta o tributarista. A discrepância é enorme. Por exemplo, o pãozinho consumido pelo empresário Eike Batista, homem mais rico do País, com uma fortuna estimada em US$ 27 bilhões, traz a mesma carga tributária de 7% do pãozinho consumido por qualquer contínuo do grupo EBX, de sua propriedade, que atua em áreas como petróleo, mineração e logística. Como os mais pobres gastam a maior parte dos ganhos com produtos de consumo doméstico, eles pagam proporcionalmente mais impostos Quem ganha até dois salários mínimos (o equivalente hoje a R$ 1 020) tem 48,9% do rendimento engolidos por impostos, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Já aqueles que recebem mais de 30 salários mínimos (R$ 15.300) têm apenas 26,3% da renda comprometida com impostos. A cesta básica, que serve de parâmetro de consumo para as famílias mais pobres, carrega quase 15% de tributos. Receita libera consulta a IR de 2009 e de 2008 - A Receita Federal libera hoje, às 9h, a consulta aos lotes residuais do Imposto de Renda da Pessoa Física 2009, ano-base 2008, e também ao do de 2008, ano-base 2007. A previsão é de que 95 mil pessoas recebam R$ 100 milhões em restituições. O dinheiro será depositado nas contas dos contribuintes no dia 17 de maio.


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