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Concessionárias aguardam circular do BNDES para voltar a vender caminhões
17 de Dezembro de 2013 - 10:00 horas / Revista Carga Pesada

Sexta-feira (13) foi o último dia do ano para as concessionárias de caminhões do País apresentarem propostas de negócios pelo Finame PSI (incluindo Procaminhoneiro). A torcida do mercado é para que, antes do primeiro dia útil de 2014 (2 de janeiro), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tenha publicado a circular com as novas regras do programa. Caso contrário, o varejo começa o ano novo sem sua principal ferramenta de vendas. No dia 11 de dezembro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou em entrevista que os juros do PSI sobem de 4% para 6% em 2014. As condições de participação máxima foram alteradas para as pequenas empresas, de 100% para 90%, e para as grandes, de 90% para 80%. Somente no Procaminhoneiro, voltado para os motoristas autônomos, foi mantida a possibilidade de se financiar 100% do veículo. O receio das concessionárias é que o BNDES demore a publicar a circular com as novas regras. “Em agosto do ano passado, tivemos a notícia de que os juros do PSI caíram de 5,5% para 2,5%. Todo mundo achou maravilhoso. Acontece que o governo só foi formalizar essa medida em 20 de setembro. Ficamos um período grande sem poder vender”, recorda Fernando Xavier Mourão, gerente comercial da Konrad Paraná (concessionária Ford), de Maringá. O medo dele é que essa história se repita. Para Mourão, o aumento da taxa foi positivo porque deve atiçar o apetite dos agentes financeiros em realizar as operações pelo PSI. Segundo ele, nem metade dos negócios apresentados aos bancos pela concessionária foi aprovado em 2013. A rentabilidade do negócio foi encarada pelos bancos como pequena diante dos riscos. O gerente diz que a grande expectativa é quanto à modalidade de operação que o BNDES irá autorizar em 2014, informação que deverá constar da circular a ser publicada. Ele explica que são duas possibilidades: simplificada ou convencional. “No modo convencional, o banco pega todo a documentação e manda para o BNDES, que a analisa e autoriza o faturamento. No simplificado, é o banco que autoriza o faturamento e depois manda a documentação para o BNDES”, afirma. No primeiro caso, a concessionária pode levar até 90 dias para receber o dinheiro. Já, no modo simplificado, esse prazo é de, no máximo, dois dias. De acordo com Mourão, na maior parte do ano de 2013, o BNDES deixou a critério dos agentes financeiros o modo a ser operado. Só agora, no final do ano, passou a exigir o formato convencional. Bradesco e Itaú trabalharam na forma simplificada e o Banco do Brasil, na convencional. “Demorando até 90 dias para liberar o pagamento, já aconteceu de clientes nossos desistirem do negócio. E a gente teve de deixar o caminhão reservado para ele”, explica. Na Auto Sueco São Paulo (concessionária Volvo), o PSI é responsável por 95% dos negócios, segundo o diretor comercial, Luis Gambim. Ele espera que a circular seja publicada até o início do ano porque, do contrário, o mercado ficará parado. “O ministro já sinalizou com as taxas, a gente espera que a circular saia no Diário Oficial nos próximos dias”, afirma. Para ele, a taxa de 6% é “muito boa”, mas o fim da possibilidade de se financiar 100% do bem aos frotistas preocupa. ”As grandes empresas só poderão financiar 80%. Isso significa que, a cada 10 caminhões comprados, têm de pagar dois à vista”, declara. Para compensar essa desvantagem, Gambim acredita que o Banco Volvo, assim como os das outras montadoras, irá financiar a parte que o BNDES não desembolsará. O diretor também espera que o spread bancário aumente com a nova taxa para incentivar os agentes financeiros a apostarem no PSI. “Os bancos reclamam que hoje ganham entre 1% e 1,5% (no programa do BNDES). Eles querem pelo menos 3%”, afirma. Segundo ele, num financiamento pelo CDC, o spread bancário é de cerca de 7%. A assessoria do BNDES disse à Carga Pesada que ainda não há previsão de publicação da circular.


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