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Lojista teme furto e burocracia com nota fiscal fora da caixa
16 de Janeiro de 2018 - 05:28 horas / DCI

Pequenos lojistas virtuais receberam com preocupação a adequação dos Correios à exigência da Receita Federal, que passou a obrigar a fixação da nota fiscal do lado externo da embalagem nas entregas. O temor é que a mudança gere aumento nos furtos de produtos e na burocracia da operação.

 

Já entidades e companhias como o Mercado Livre afirmam que o impacto deve ser mínimo, uma vez que a exigência, internalizada pela empresa pública desde o dia 2 deste mês, já é amplamente adotada por transportadoras privadas. Ainda assim, a mudança chega em um momento onde a incidência de furtos tem aumentado, conforme a percepção de lojistas.

 

“Nos últimos seis meses percebemos um aumento grande nos furtos e extravios de nossas entregas”, afirma a dona do e-commerce de artigos para praia Morango Brasil, Daianne Passarin. “Usávamos uma caixa personalizada, com o logo da marca no lado de fora, mas mudamos por questão de furto. Estavam sumindo peças de dentro da caixa”, conta a empresária, que realiza 100% de suas entregas através da empresa estatal.

 

Movimento semelhante foi percebido pelo proprietário de uma loja virtual de vestuário sediada no Rio Grande do Sul. “Envio [encomendas pelos Correios] desde 2002 e nos últimos anos os problemas têm aumentado. É raro acontecer extravio, o que tem acontecido é objeto roubado”, contou o empresário, que preferiu não se identificar.

 

Segundo ele, as duas primeiras semanas da exigência geraram aumento de filas em agências. Para os ouvidos, no entanto, o maior incômodo é o eventual aumento nos roubos.

 

“Qualquer pessoa pode tirar facilmente a nota fiscal e ver o que é. Se for um produto caro pode sim estimular o furto”, pontua Daianne. “Não sei como são os procedimentos internos [de segurança], mas me parece óbvio que roubos devem aumentar com a declaração de conteúdo do lado de fora”, completou o lojista gaúcho.

 

CEO do e-commerce de brinquedos e papelaria Unique Shop, Décio Farias, afirmou ter enfrentado poucos casos de roubo recentes, mas admitiu que a empresa parou de colocar a nota do lado de fora das embalagens (algo feito no início da operação) “justamente por medo de furtos”. Com a ação obrigatória em toda a cadeia logística, o empresário vislumbra eventuais problemas. “Com certeza aumenta o risco, ainda mais se for um produto com um alto valor”, afirma o executivo.

 

O último estudo da Associação Brasileira do Comércio Eletrônico (Abcomm) sobre a logística no segmento revelou que 73,1% das encomendas postadas por lojistas virtuais em 2015 usaram os Correios; apesar do percentual estar caindo, ele ainda é maior entre empresas de menor porte.

 

Na época, a avaliação do serviço da estatal foi considerada boa ou ótima para 31,3% da cadeia, mas ruim ou péssima para outros 23,9%. A entidade também revelou que 29,5% dos ouvidos listam furtos como um dos principais problemas enfrentados ao lidar com a estatal, além de 47,9% que citaram extravios dos produtos.

 

Procurado, os Correios afirmaram que o índice de extravios da empresa é de 0,24%. Considerando que 33,2 milhões de objetos são distribuídos por dia (segundo o último dado divulgado, em abril de 2016), o total de itens perdidos diariamente ultrapassaria os 79 mil. “O índice de extravios em relação ao volume de encomendas transportadas é baixo quando comparado com outros correios do mundo”, destacou a empresa, em nota.

 

A estatal não abriu números sobre o estado do Rio de Janeiro, mas tanto a Abcomm quanto lojistas afirmaram que a incidência de roubos na região é consideravelmente maior do que no restante do País. “Há um problema de roubo de carga muito concentrado no Rio de Janeiro, que é um grande local de destino das vendas”, pontuou o vice-presidente da Abcomm, Rodrigo Bandeira.

 

Informalidade

Na opinião do sócio-proprietário do e-commerce Zen Animal, Pedro Lício, a medida poderá gerar efeito positivo para os lojistas regularizados. “Antes de precificar fazemos consultas em concorrentes e vários ofereciam preços bem abaixo porque há muita gente informal que não pagava impostos”, acenou o empresário, que entrega 65% das encomendas através da empresa pública. O objetivo da Receita Federal com a medida é justamente diminuir a sonegação de impostos, uma vez que a nota do lado de fora facilitaria a fiscalização pelo órgão.

 

Faltam dados conclusivos sobre a informalidade no comércio eletrônico brasileiro, mas informações da plataforma de criação de e-commerces Loja Integrada mostram que 75% das 20 mil lojas que utilizam os serviços realizaram cadastro com um CPF ao invés de um CNPJ. Head da empresa, Breno Nogueira afirmou que muitos deles se regularizam com o tempo e que hoje 80% do volume vendido no País “vem de lojas profissionais”, mas observou que quem não se adequou “e quiser continuar utilizando os Correios vai ter que se formalizar”.

 

A Abcomm e o Mercado Livre minimizaram os impactos da nova exigência. Para a entidade, ainda que a mudança gere um ruído e necessite de um período de adaptação, a tendência é que o impacto seja pequeno. “Não podemos partir do princípio que vá ficar menos seguro transportar porque tem a nota fiscal do lado de fora. A questão do roubo é de segurança pública”, diz Bandeira. Já o Mercado Livre espera que não haja “nenhum impacto para o lojista com a mudança”.

 

Para a Abcomm, o impacto pode ocorrer no custo e na complexidade da operação, já que uma etapa será adicionada no manuseio da mercadoria. “A loja vai ter que colar um saquinho do lado de fora, afixar a nota. Pensando em uma quantidade grande de produtos pode dar um trabalho a mais”, afirma Bandeira. A Morango Brasil já sentiu o aumento da complexidade e teve que destinar um funcionário apenas para a nova função de dobrar as notas e fixar na parte externa dos produtos.




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