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Setor agrícola do Mercosul rejeita oferta da Europa
01 de Fevereiro de 2018 - 05:12 horas / DCI

Produtores agropecuários do Mercosul se recusam a aceitar a proposta feita pela União Europeia de abertura de mercado e alertam que acordo final entre os dois blocos pode ficar desequilibrado. Nos dias 29 e 30/01, em um encontro ministerial em Bruxelas, a Comissão Europeia elevou sua oferta de abertura de 70 mil toneladas para 99 mil toneladas de carnes do Mercosul.

 

O tema era central para destravar o impasse no processo que já dura 19 anos. O Brasil já havia deixado claro que, sem maior acesso para o segmento, não haveria um acordo. A partir de agora, os ministros retornam aos seus países. Mas técnicos e negociadores ficam até dia 8 de fevereiro para tentar aproximar posições e fechar a base de um acordo. Uma nova reunião já foi marcada para o dia 18, em Assunção. Negociadores revelaram que a meta é a de acelerar o processo e tentar concluir o entendimento até março.

 

Fontes no Palácio do Planalto acreditam que o acordo é "possível". A Irlanda, por exemplo, deixou claro nesta semana que não aceitaria uma ampliação das cotas de carne. No entanto, a proposta que foi apresentada ao chanceler Aloysio Nunes Ferreira foi alvo de dura crítica por parte das entidades que representam o setor agropecuário no Mercosul, entre eles a Associação Brasileira das Indústrias Exportadores de Carnes (Abiec), a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Sociedade Rural Brasileira.

 

"A oferta de 99 mil toneladas de carne não cumpre o mandato de 2010 e não contempla a ambição do setor no Mercosul", disseram os grupos, que ainda apontaram para a "falta de informação" sobre o restante das condicionalidades. A oferta não atende às expectativas do setor agropecuário do Mercosul", insistiram as entidades, em um documento assinado por Gedeão Silveira Pereira, presidente da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul, e enviado aos ministros do bloco.

 

A demanda do setor é de que a cota seja estabelecida inicialmente em 100 mil toneladas e que haja um incremento anual até atingir 160 mil toneladas por ano. O setor também criticou a falta de "transparência" do processo. "Confiávamos que os governos do bloco buscariam um acordo amplo e equilibrado, que trouxesse reais benefícios para os produtores rurais sul-americanos", disseram as entidades na carta.




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